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Canção de Amor do Dia e da Noite

  • Criado e Publicado por #Arconte 28/01/2021

Saudações, mochileiros. Hoje não falaremos sobre guerras, intrigas políticas ou deuses adormecidos, mas sim sobre amor. Sim, embora os cenários de Magic geralmente são recheado desse tipo de contexto, quero trazer à memória um antigo -  para não dizer atemporal - poema da época de Miragem. Os jovens de hoje não o conhecem, mas nos dias da expansão de Miragem era bastante comum conhecermos esse flavor text. O poema se chama Canção de Amor do Dia e da Noite e traz a narrativa entre dois amantes onde em cada estrofe, um faz a declaração para o outro.


Quando víamos as cartas não entendíamos direito do que se tratava e levou alguns anos para a Wizard explicar seu significado. Para finalmente sanarem a curiosidade dos jogadores, eles explicaram o poema. O poema, Canção de Amor do Dia e da Noite, foi escrito por Jenny Scoot, um antigo editor da Wizard e colaborador da antiga revista The Duelist. Jenny explica que criou o poema para ambientar o continente de Jamuraa, onde se passa a guerra de Kaerverk, Mangara e Jolrael, e assim criar uma melhor conexão com os jogadores.


Jamuraa é a África de Dominária, com costumes, tribos e a população negra sendo predominante.


Partes do poema podem ser encontrados em 17 cartas do bloco e Dia e Noite simbolizam o casal. Sendo ele a Noite e ela o Dia.


Para quem quiser ver o texto original, aqui está o link: https://magic.wizards.com/en/articles/archive/love-song-night-and-day-2003-04-14


Canção de Amor do Dia e da Noite


Ele (introdução)

Vista-se com suas melhores roupas claras, seus melhores lenços de seda. Cora comigo para o festival, onde nós dançaremos até o dia amanhecer. Os anões tocarão seus engraçados tambores de pele de zebra e árvores ocas, enquanto os homes com perna-de-pau se apresentam, e o músico assopra em sua flauta de bambu.


Ela

"É tarde da noite, os poetas e contadores de histórias nos entreterão, bem como nos encantarão com suas espadas dançantes, assim como ouvimos, aplaudindo perto do fogo. Encante-me com tuas fábulas. Conte sobre a Árvore, a Grama, o Rio e o Vento. Conte por que a Verdade precisa lutar com a Falsidade e por que, no final, a Verdade sempre triunfará."




Ele

"Eu te contarei as histórias do meu pai: como o mantídeo gigante enganou a Morte, mantendo-se calmo como uma árvore morta; de como os elefantes atropelaram o filhote de leopardo e seu pai, embora soubesse de tudo, preferiu matar nove cabras; como os piratas apostaram com um gênio e perderam algo mais valioso do que o ouro;"




Ela

"Hoje à noite iremos comer um jantar de despedida. Mingau de aveia frio não é o bastante. Vamos descascar mamão, abacaxi e manga, beber água de coco e assar bananas. Iremos jantar crocodilos, pássaros selvagens e tartarugas, talvez um hipopótamo... mas somente se você conseguir pegá-lo primeiro."





Ele

"Eu irei construir um palácio feito de pedra. Dois homens com cabeça de hipopótamo irão lhe servir e tigres trarão sua comida. Eu capturarei zebras voadoras para serem seus corcéis e enchereis os estábulos com todos os tipos de unicórnios. Borboletas e salamandras irão decorar seu jardim."




Ela

"Eu irei fazer longos colares de miçangas para você, azuis, a cor que somente os reis podem usar. Eu irei esculpir leoas em pedra sabão e uma caixa de madeira para guardá-las dentro. Adornar com amuletos de safira, penas de pavão, mármore. Essas coisas irão te proteger enquanto eu me for, lembre o amor que sinto por você."




Ele

"Sua voz ressoa como a canção de um pássaro, cada palavra é encantadora, um som agradável. Quando corres, és graciosa e veloz, sorrateira como uma poderosa pantera. Camaleão misterioso, você é milhares de mulheres ao mesmo tempo. Afiada e forte como uma leoa, bem como é gentil como uma gazela listrada."




Ela

"Nesse nosso último dia juntos, caminhemos através da pradaria. Segure minha mão e andemos lentamente, vendo tudo como se fôssemos crianças. Caminhemos pela planície de Daraja, onde os leopardos se penduram nas árvores, descansando, caudas pendentes balançando na sombra, perto das vilas dos elfos que habitam em árvores."


Ele

"Glorioso, andar outra vez através da savana com minha amada. Um leão anda com pompa, um general entre suas tropas, acampando na noite antes da batalha. Uma cobra, cheia de cores e enrolada, se enrosca ao redor do seu galho, maliciosa, se pendurando sobre o caminho da vila."


Ela

"Nós encontraremos cupins nos ninhos deles, torres altas e sólidas acima das planícies, e gatos com orelhas levantadas, assumindo seus postos, guardando suas muitas entradas. Nós encontraremos ninhos que parecem cestas de pássaros pendurados nas árvores de acácia. Rinocerontes e dragões pela primeira vez nos deixarão caminhar em paz."

Ele

"Quando os raios formarem lágrimas no manto escuro do céu e as aves do paraíso atingirem a água nas lamacentas planícies com suas grandes asas, cupins e sapos escaparão de seus lares em direção às lâmpadas da vila mais próxima. Aranhas secam-se dentro das casas, os lagartos manchados que nunca caem do teto de repente aparecem." 

Ela

"Na floresta, os clarões iluminam o céu enquanto as nuvens negras se espalham ao redor. A babuína sagrada alvinegra abraça seus filhos contra o peito e aguarda. O amor, como um raio atinge de repente. Ele acende o coração com assopros de luz. Seu fogo, alarga, dobra, expande, bate e quebra lugares escondidos."





Ela

"Lembre-se de quando éramos crianças, pastoreando ovelhas, liderando-as através das colinas cobertas de relva com longos cajados. Suas tolas canções faziam-me rir, e ao anoitecer, você me encantava com suas histórias, colocando suas costas ao meu lado. Mesmo assim meu coração era seu." 

Ele

"Eu me recordo dos seus ritos sagrados. Você era tão engraçada, tão crescida, seus braços e cotovelos eram tão rígidos e sérios. Você partiu como uma garota, mas retornou como uma guerreira. Você marchou de volta com os outros... seu cabelo foi cortado, seu olho tatuado com o triângulo vermelho da guerra."  





Ela

"Amanhã eu tenho que partir, meu amor. Eu irei fazer minhas tranças. Meu escudo levará um sol brilhante, assim estarás sempre comigo. Incrustrado de ouro, ele brilhará como brasas incandescentes. Eu voltarei com peles de lagartos para suas sandálias. Pinte seus olhos de negro e espere por mim."





Ele

"Eu sou o Sol, você é a Lua. Onde quer que você vá eu irei, seguindo através do amplo céu, enquanto eu viver e você amar. O Sol segue a Lua até que ela se canse, então a carrega até que se fortaleça e corra à sua frente outra vez. Eu carregarei você também, minha amada."  






Ela


Meu amor, nós não somos o Sol e a Lua. Ao invés disso somos como dia e noite. Os anciãos dizem que o Dia é uma mulher, que somente trabalha enquanto está claro. Ela pastoreia suas cabras e pega peixes, enche seus campos com milhos dourados, mostra as suas crianças o que é justo e as protege da serpente. 

O Dia ama a Noite, que trabalha na escuridão, caminhando através do turvo paraíso no céu coletando estrelas com seus braços ágeis, empilhando-os dentro da cesta como uma criança pegando lagartos e colocando-os em frascos até que o pote transborde de lagartos, até que a cesta transborde de luz. 

A Noite veste um manto preto forrado com fogo, adornado por dentro de estrelas brilhantes. Ao amanhecer e no crepúsculo ele espia seu amor. Através da colinas onduladas do céu, eles vislumbram um ao outro tão brevemente. Eles lançam beijos um para o outro, choram. Sua lágrimas derramaram-se sobre Jamuraa. Misturadas ao sangue, elas tingem tudo de vermelho.





Mas, uma vez, com a ajuda de um mágico, o Tempo parou e o Dia não passou. A Noite se espalhou por Jamuraa, embrulhando o Dia em seu manto escuro e a segurando. Naquele abraço miraculoso, os dois viraram Um. Até ser arrancada dos braços do Dia, a Noite afundou, comandada pelo horizonte ocidental que sempre acena para que ele venha."




Ele

"Eu não desistirei da esperança, meu amor."

Ela

"Nosso amor é como o rio na estação dos aguaceiros de verão. Por um breve momento ele extravasou suas margens, inundando as plantações no campo. Mas logo ele evaporará com o calor seco."





Como o Dia da Noite, eu viverei minha vida separada de ti, apenas vislumbrando-te no céu, porque não podes mudar, meu querido, e
eu não posso também.




E assim acaba a aventura dos dois amantes. Um amor separado pela guerra, onde a mulher deve que abandoná-lo para servir ao seu povo. Além desses trechos existe uma carta que traz um único trecho, porém com o nome de "Canção do Sol, canção de Femeref." Não sei se faz parte do poema ou se foi um trecho aleatório dela.

“Não vá lá, não vá / a menos que você se levante nas asas, a menos que você ande sobre os cascos.”




Até nosso próximo encontro, mochileiros.






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